Vale de Açor é uma freguesia do distrito de Portalegre, concelho de Ponte de Sor.
Vale de Açor ou Montes do Vale de Açor, é de crer, ter tido um povoamento a remontar, pelo menos à época da colonização romana, embora na zona de Fonte da Cruz se tenham localizado alguns vestígios arqueológicos que parecem testemunhar um povoamento anterior.
Não obstante, o primitivo nome de Montes de Açor não deixa ainda de inferir um outro fenómeno histórico, anterior, comum ao processo de povoamento de grande parte das freguesias de Portugal. Referimo-nos a uma localização geográfica a indicar certa altitude, propicia á vigilância e á defesa perante o ataque do inimigo invasor, que se liga quase sempre, á existência de um velho castro. Este ultimo, com a chegada da nova civilização, romana, é normalmente abandonado, sendo imposta ás suas populações uma vivência romanizada, fundada nas chamadas "vilas" ou casais, que embora apartados do termo de Vale de Açor - informação registada do ano de 1527 - por ali abundavam. Por outras palavras a população primitiva teria descido do Monte, deslocando-se até ao Vale, dando inicio a uma vida "mais civilizada", isto é, ligada a práticas de organização institucional e económica, mais evoluídas, a evidenciar a profunda influência daquela nova civilização.
Aliás, o documento mais antigo que lhes fez referência, data concretamente, do ano de 1527, quando o monarca D. João III, ordenara aos corregedores das seis comarcas em que o reino então se dividia fizessem a contagem de seus povos.
Nessa época era já Vale de Açor povoação de 14 vizinhos, um número, seguramente considerável, dada a diminuta população do reino. Viviam-se os Descobrimentos, e terra que tivesse, pelo menos, este valor populacional era já de certa valia.
O nome de Açor deve, necessariamente, derivar de certa espécie de ave de rapina, criada, segundo dizem, na Navarra, Astúrias e Galiza, e que, com o falcão, o gavião e outros, foram outrora muito usada na caça e abundara, em lugar ermo e matagoso, onde primitivamente a aldeia assentara.
Aforada, esta aldeia, certamente, em tempo muito anterior ao reinado de D. João III, certo é, ter sido pertença do general João Joaquim Caldeira Pires, o qual, no dia de Todos os Santos, recebia os foros.
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